Mercado de trabalho forte, mas se normalizando

Os números do mercado de trabalho continuaram refletindo um quadro amplamente robusto em agosto. A folha de pagamento não agrícola cresceu em 187.000 empregos (em comparação com os 170.000 esperados) e representaram um aumento em relação ao aumento revisado para baixo de 157.000 empregos do mês anterior. Essa alta teria sido ainda maior não fosse a greve de Hollywood. O aumento de agosto foi novamente liderado pelo setor de saúde e assistência social, que acrescentou outros 97.000 empregos. Além disso, o setor de lazer e hospedagem se destacou com a abertura de 40.000 postos de trabalho. Por outro lado, as atividades de transporte e armazenamento foram responsáveis pelo fechamento de 34.000 empregos.

Outro fato relevante foi que a taxa de participação, ou seja, a porcentagem da população que está trabalhando ou procurando ativamente emprego, aumentou em dois décimos para 62,8%, maior alta pós-pandemia. Esse aumento na taxa de participação foi liderado pelo segmento mais jovem da população. Essa situação, em maior medida, propiciou que a taxa de desemprego aumentasse três décimos, para 3,8% (3,5% esperado), a maior desde fevereiro de 2022. Entretanto, ressaltou que, por outro lado, o número de desempregados tenha chegado a 514.000, sengo agora 6,4 milhões de pessoas.

Enquanto isso, a média de salários por hora aumentou apenas 0,2% no mês, permitindo uma desaceleração no crescimento anual de 4,4% para 4,3%. Por fim, as vagas de emprego (JOLTS) caíram em julho para 8,83 milhões (9,17 milhões em junho), colocando esse número em seu ponto mais baixo desde março de 2021, bem como em sua terceira queda consecutiva.

Depois de digerir esses dados sobre o mercado de trabalho e aguardando a inflação de agosto, a ser divulgada dentro de uma semana (o consenso estima uma taxa anual de 4,3% em sua forma subjacente “core”), em comparação com 4,7% em julho), o mercado está começando a estimar que o FED poderia ter argumentos para implementar uma pausa em sua próxima reunião de política monetária, a ser realizada em 20 de setembro. O consenso atribui uma probabilidade de 93% de que a taxa de referência permaneça nos níveis atuais de 5,25 a 5,5%.

Folha de pagamento não agrícola (Variação no mês, en milhares)

Fonte:  JP Morgan

Taxa oficial de desemprego, incluindo funcionários em tempo parcial e desmotivados (mensal em %)

Fonte:  JP Morgan