O índice de preços ao consumidor subiu 0,6% ao mês em agosto (0,6% esperado e 0,2% em julho), o que representou sua maior alta até agora em 2023. Dessa forma, a inflação anual chega a 3,7% (3,6% esperado e 3,2% em julho).
Por outro lado, o núcleo da inflação (core CPI em inglês), que exclui componentes voláteis como alimentos e energia, aumentou 0,3% ao mês em agosto e ficou acima dos 0,2% esperados. Em sua variação anual, o núcleo do IPC ficou em 4,3% (4,3% esperado e 4,7% em julho) e, positivamente, foi o menor aumento anual desde setembro de 2021. Esse componente pesa cerca de 80% de todo o índice, explicando a importância que o Fed dá ao seu monitoramento.
Analisando os números, o índice da gasolina foi o que mais contribuiu para o alta mensal de todos os itens, representando mais da metade do aumento. Nesse sentido, foi observado alta de 10,6% no mês (-3,3% anual). No geral, a componente que abrange toda a categoria energética registou um avanço mensal de 5,6% (-3,6% anual). Contudo, espera-se que essas pressões sobre a gasolina e a energia sejam temporárias
Por outro lado, o avanço contínuo do índice de moradia (Shelter) continuou gerando pressão, levando-o a 40 meses de aumentos consecutivos. Nesse contexto, aumentou 0,3% no mês (+7,3% a.a.). Já o índice de alimentação apresentou alta de 0,2% (+4,3% a/a), com a alimentação em casa subindo 0,2% no mês (+3% a/a), enquanto a alimentação fora de casa subiu 0,3% no mês (+6,5% a/a). Por fim, o relatório mostrou que as tarifas aéreas aumentaram 4,9% no mês, embora tenham caído 13,3% em relação ao ano anterior. Os preços de carros usados, um dos principais contribuintes para a inflação durante 2021 e 2022, caíram 1,2% no mês e registraram um declínio de 6,6% a.a. Os serviços de transporte aumentaram 2,0% no mês e registraram um aumento anual de 10,3%.Em suma, os números fornecem uma leitura mista, mas até certo ponto neutra, para a próxima decisão do Fed (o consenso considera como certo que não haverá aumento da taxa na próxima semana), já que a inflação segue mostrando que está caindo de seu pico em torno de uma taxa anual de 9% em junho de 2022, a mais alta desde novembro de 1981. No entanto, ainda há espaço para melhorias, já que o núcleo do IPC continua alto, refletindo as pressões no componente de acomodação, enquanto os indicadores de emprego continuam fortes.
Mudança (%) mensal nos últimos doze meses do IPC

Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics
Mudança (%) nos últimos doze meses do IPC e Núcleo IPC

Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics