No contexto do conflito geopolítico no Médio Oriente, da guerra entre a Rússia e a Ucrânia e da constante rivalidade comercial entre os Estados Unidos e a China, parece que a política poderá continuar desempenhando um papel de destaque em 2024. A esses acontecimentos soma-se a eleição presidencial que acontecerá em 5 de novembro do próximo ano nos Estados Unidos. Isso posto, compartilhamos alguns pontos preliminares a esse respeito:
- O mercado atribui uma probabilidade de 70% de Biden se tornar o candidato democrata, um número estranhamente baixo para um titular que procura a reeleição. Entretanto, embora Trump tenha 80% de hipóteses de garantir a nomeação republicana, os seus contínuos obstáculos legais podem minar o seu apelo junto dos eleitores não afiliados, levando potencialmente a uma menor probabilidade de ganhar a presidência. Segundo a RealClearPolitics, as probabilidades de sucesso de Trump são de 36,8%, enquanto de Biden são de 30%.
- É provável que haja um Congresso dividido. O consenso aponta que um Congresso dividido é o cenário mais provável após as eleições de 2024. Nesse sentido, os republicanos poderiam assumir o controle do Senado porque têm menos assentos para defender. No entanto, os democratas parecem ter mais possibilidades de recuperar o controle da Câmara, já que alguns republicanos enfrentam difíceis campanhas de reeleição após a destituição do antigo líder Kevin McCarthy. Um Congresso dividido significaria que a legislação teria de ser aprovada numa base bipartidária. Isso reduziria a probabilidade de reformas internas significativas, tais como alterações nas políticas fiscais ou de saúde, ou redução de gastos em questões de alterações climáticas.
- 0As eleições presidenciais dos EUA afetam os mercados? Embora essas eleições sejam de grande relevância para a política interna e externa, as estatísticas mostram resultados algo dispersos. No entanto, o retorno médio histórico num ano eleitoral é de 13,1% (excluindo 2008, quando surgiu a crise financeira global). Portanto, os investidores não devem basear as suas decisões apenas neste evento, mas sim considerar uma análise mais ampla que englobe outros fatores económicos e financeiros.
Rendimento total do S&P 500 por ano civil em anos eleitorais desde 1928 (índices em %)

Nota: Na análise foi excluído o ano de 2008, quando o S&P 500 caiu 37% principalmente como consequência da crise financeira global.
Fonte: UBS