Janeiro já é história e deixou um saldo positivo para os mercados. O S&P 500 fechou o mês com um aumento de 1,6%, enquanto a Nasdaq registrou um ganho de 1%. O primeiro mês do ano é sempre repleto de discussões sobre como os meses restantes poderão evoluir. Assim, há certos temas importantes que estarão na mente de quase todos os investidores ao longo de 2024. Aqui estão algumas dessas perspectivas.
A economia pode seguir crescendo no mesmo ritmo? 2023 foi visto como o ano da recessão que nunca chegou. Até o momento, alguns sinais sugerem a continuidade da resiliência econômica. Isso levou à possibilidade de um cenário “Goldilocks” muito otimista, implicando em crescimento sólido e inflação em queda. Os dados do PIB para o quarto trimestre de 2023 mostraram um aumento de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, com o mercado de trabalho permanecendo sólido, conforme indicado pelo mais recente relatório de folha de pagamento não agrícola. Olhando para o futuro, não está descartada a possibilidade de a economia sofrer uma desaceleração, permitindo uma aterrissagem suave, ou seja, geração de empregos saudáveis e queda da inflação para a faixa da meta. Esse ambiente poderia permitir que o Federal Reserve (Fed) começasse a ajustar as taxas antes do final do primeiro semestre do ano (o mercado está prevendo um corte de 100 pontos-base para o ano todo), depois que Jerome Powell deixou claro que não haveria aperto em março.
Permanecerá o domínio dos Sete Magníficos? Embora exista otimismo em relação ao setor de tecnologia e ao estilo”growth”, não é realista supor que esses gigantes da tecnologia se manterão perpetuamente em ascensão. Um padrão elevado implica uma pequena margem de erro, conforme evidenciado pela queda do Google e da Tesla, após divulgarem números abaixo do esperado, enquanto a Meta e a Microsoft apresentaram balanços sólidos. Agora, essas empresas terão que se destacar em todos os aspectos para agradar aos mercados. Um tema importante este ano poderá ser a diferenciação entre os “sete magníficos”, com alguns vencedores e alguns perdedores. É fácil esquecer que essas são sete empresas muito diferentes. Portanto, a capacidade de cada uma delas de monetizar novos fluxos de receita, como a inteligência artificial, poderá fazer a diferença entre permanecer ou não no topo.
Os mercados deveriam se preocupar com as tensões geopolíticas? Embora seja lamentável que, nos últimos anos, a humanidade tenha entrado em uma nova fase de aumento das tensões geopolíticas em várias regiões do mundo, como regra geral, a geopolítica não é um dos principais impulsionadores dos rendimentos de longo prazo. De fato, várias análises que abrangem os 30 principais choques desde 1940 concluíram que, sim, muitas vezes há volatilidade de curto prazo no dia ou dois após o evento, mas em três meses, os retornos foram positivos em 60% das vezes. E em três anos? Em 90% das vezes. Para a maioria dos investidores, os eventos geopolíticos são perturbações, mas geralmente não são pontos de inflexão. Entretanto, as tensões geopolíticas elevadas sugerem a necessidade de contar com algumas coberturas, principalmente ouro e ações relacionadas à energia, para proteção contra o risco de aumento dos preços do petróleo.
O que uma revanche eleitoral poderia significar para os mercados? Até o momento, as primárias democratas e republicanas (Iowa, New Hampshire e Carolina do Sul) sugerem uma revanche entre Joe Biden e o ex-presidente Donald Trump. Vale a pena mencionar que essas eleições são de grande relevância para a política interna e externa, no entanto, as estatísticas mostram resultados um tanto dispersos, no qual o retorno médio histórico do S&P 500 em um ano eleitoral é de 13,1% (excluindo 2008, quando surgiu a crise financeira global). Portanto, os investidores não devem basear suas decisões de investimento somente nesse evento, mas considerar uma análise mais ampla que englobe outros fatores econômicos e financeiros.
O consenso espera que as vendas dos Sete Magníficoscresçam a uma taxa 4x (vezes) maior que a do S&P 493

*CAGR: Refere-se a um crescimento anual composto.
Fonte: Goldman Sachs