Nos últimos dias, Taiwan realizou sua eleição presidencial, sendo o candidato Lai Ching-Te (atualmente vice-presidente) o vencedor, estendendo o controle do Partido Democrático Progressista (DPP) por mais quatro anos. Essa é a primeira vez na história eleitoral de Taiwan que um partido no poder vence uma eleição presidencial para um terceiro mandato. Ele tomará posse no día 20 de maio.
O pleito teve um alto comparecimento, cerca de 70% de eleitores, e foi observado que os 40% dos votos conquistados por Lai foram menores que os 57% de sua antecessora Tsai Ing-wen na eleição de 2020. Da mesma forma, o DPP também perdeu sua maioria absoluta na Assembleia Legislativa, diminuindo sua participação de 54% em 2020 para 45,1%. Nesse sentido, ambos os partidos da oposição aumentaram sua participação nas cadeiras: o Kuomintang (KMT), de 33,6% para 46%, e o Taiwan People’s Party (TPP), de 4,4% para 7,1%. Assim, nenhum partido teria uma posição majoritária. Historicamente, o KMT tem sido visto como mais aberto à ideia de relações mais próximas com a China continental.
Nesse contexto, enfatizamos que esse cenário está de acordo com as expectativas do mercado e, em geral, não mudaria o curso atual das coisas na região. Nesse sentido, parece que os incentivos continuam fortes para manter as relações comerciais e econômicas, bem como a disposição de minimizar o risco de escalada geopolítica. Portanto, considera-se improvável que esse resultado eleitoral cause um impacto significativo no crescimento econômico de Taiwan em 2024, pois haveria continuidade das políticas implementadas pelos governos anteriores. Com relação às relações com a China continental, Lai expressou seu interesse em manter intercâmbios “saudáveis e ordenados” com a China continental, reiterando sua abertura para conversações baseadas em termos mais equitativos.
O resultado positivo desse evento pode trazer um pouco de calma para a esfera geopolítica na Ásia e no mundo em curto prazo. No entanto, é difícil descartar a possibilidade de que as relações com a China continental continuem a ser uma fonte constante de tensão nos próximos anos, especialmente porque os EUA provavelmente continuarão a interagir estreitamente com Taiwan, lembrando que esse país se tornou um fornecedor estratégico nesse novo modelo econômico, altamente exposto ao superciclo de semicondutores e ao desenvolvimento da Inteligência Artificial.
Capacidade global de lâminas de semicondutores instalada por região (participação de mercado).

Em eletrônica, uma lâmina refere-se a uma fatia fina e circular de material semicondutor a partir da qual são produzidos microchips/semicondutores.
Fonte: UBS