De acordo com o monitoramento do JP Morgan, a inflação global e a inflação subjacente, excluindo China e Turquia (China está passando por deflação, enquanto Turquia tem uma taxa de inflação de dois dígitos), aumentaram ligeiramente em 0,3% ao mês em janeiro. Suas variações anuais continuaram a diminuir, embora a inflação global tenha se avançado a 2,6% no final de janeiro, e o núcleo da inflação (excluindo componentes voláteis como alimentos e energia) também tenha aumentado ligeiramente para 3%.
Os preços dos produtos básicos, excluindo automóveis (por exemplo, roupas, eletrônicos, móveis etc.) nos EUA se chegaram a 0,16% ao mês em janeiro, indicando o fim da deflação dos preços dos produtos globais no primeiro semestre de 2024. Outro ponto interessante é que os custos de transporte de contêineres aumentaram 150% desde o início de dezembro, no entanto, os prazos de entrega dos fornecedores ainda permanecem próximos dos níveis históricos, o que sugere um impacto limitado até o momento devido às tensões geopolíticas no Oriente Médio. Além disso, o excesso de oferta na China continua a exercer pressão de baixa sobre os preços dos produtos manufaturados.
Além disso, um aumento mensal de 0,5% nos preços de serviços, impulsionado por um aumento de 0,7% nos EUA, é digno de nota. Os serviços básicos (por exemplo, moradia, serviços médicos, educação etc.) aumentaram 0,46% ao mês, seu maior aumento mensal desde dezembro de 2022, elevando a taxa anual no último trimestre acima da faixa de 4-4,5%. Grande parte dessa retomada se deveu ao aumento nos Estados Unidos novamente, atingindo uma taxa anual de 6,2%, enquanto a inflação de serviços nos países desenvolvidos, excluindo os Estados Unidos, permaneceu estável em 3% ao ano. Particularmente digna de nota foi a pressão contínua sobre os custos de moradia nos Estados Unidos.
A inflação global de alimentos permaneceu estável em cerca de 3,5% ao ano, com a inflação de alimentos nos mercados emergentes acelerando para 6,5% ao ano. Uma forte recuperação do fenômeno climático conhecido como “El Niño” levou a aumentos localizados nos preços ao consumidor de alimentos frescos no México e no Brasil.
Com essa combinação de fatores, espera-se que o núcleo da inflação (uma métrica de interesse particular para os bancos centrais) em nível global avance para 3,3% no primeiro trimestre de 2024, em comparação com 3% no quarto trimestre de 2023. Nesse contexto, as condições sugerem que as autoridades monetárias, especialmente nos países desenvolvidos, podem adiar temporariamente os cortes nas taxas de juros, enquanto aguardam sinais mais claros de um arrefecimento mais significativo em categorias importantes, como serviços essenciais e moradia.
Índice de Preços ao Consumidor (IPC) geral e básico (excluindo China – Turquia), variação mensal (%)

- As linhas pontilhadas se referem à média móvel de três meses.
Fonte: JP Morgan