Rebelião na Rússia. O que acontece agora?

Depois dos acontecimentos sociais que surgiram na Rússia com o aparecimento da milícia privada conhecida como Grupo Wagner, apresentamos a seguir um resumo em formato de FAQ compartilhando as impressões expressas pela ex-secretária de Estado no governo George W. Bush e especialista em Rússia Condoleezza Rice, em um evento da JP Morgan, sobre o tema, e a atualização sobre a guerra na Ucrânia..

  • O que é o Grupo Wagner? Rice explicou que o Grupo Wagner é um exército mercenário privado que luta ao lado do exército regular russo na Ucrânia. O grupo Wagner (oficialmente chamado de PMC Wagner) foi identificado pela primeira vez em 2014, quando apoiou forças separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia. Na época, era uma organização secreta, operando principalmente na África e no Oriente Médio, e acredita-se que tivesse apenas cerca de 5.000 membros. Desde então, cresceu consideravelmente, chegando a cerca de 50.000 soldados. O atual chefe é Yevgeny Prigozhin, um empresário focado na prestação de serviços de catering ao governo
  • Por que surgiram as tensões com o governo russo? Rice esclareceu que a rebelião do Grupo Wagner (conhecida como marcha da justiça) ocorreu entre 23 e 24 de junho passados, quando o grupo tomou instalações militares no sudoeste do país e avançou em direção a Moscou, chegando a ficar a 200 km da capital. Sobre isso, Prigozhin afirmou que a justificativa da Rússia para sua guerra na Ucrânia era uma mentira, apenas uma desculpa para o ministro da Defesa se promover e enfatizou que o dirigente fracassou na Ucrânia. Essas ações e comentários foram muito criticados pelo governo e classificados como traição por Vladimir Putin.
  • Qual é o estado atual da guerra na Ucrânia? Segundo Rice, a guerra apresenta dificuldades para os russos, que não atingiram os seus objetivos iniciais e estão envolvidos numa batalha lenta e difícil, na qual está no horizonte uma contraofensiva ucraniana. Além disso, Rice explicou que Putin permitiu lutas internas nos círculos militares e de defesa russos, desde que não o criticassem diretamente. No entanto, as ações do Grupo Wagner (que não estava sob o controle do Ministério da Defesa ou do próprio Putin), se tornaram uma preocupação quando começaram a desafiar sua autoridade.
  • A Rússia poderia vencer sem o apoio do Grupo Wagner? Independentemente do atual conflito com o governo, a ex-secretária Rice expressou dúvidas de que o Grupo Wagner seria integrado às forças armadas russas regulares, pois são considerados elementos criminosos brutais. Além disso, ela acredita que a Rússia não pode vencer a guerra na Ucrânia e sugere que o país já perdeu de várias maneiras. Nesse contexto, criticou a narrativa de Putin e afirmou que sua credibilidade foi prejudicada. Essa situação fortalece e aumenta o apoio à Ucrânia. Rice menciona que alguns estavam céticos sobre a ofensiva na Ucrânia, mas os eventos recentes mudaram essas percepções
  • Quais são as implicações para a China? Rice sugere que a China deve estar questionando seu relacionamento com a Rússia, considerando a situação atual. Ela menciona que a China não criticará abertamente a Rússia, embora provavelmente esteja preocupada com as consequências do conflito e o impacto que isso pode ter em seu crescimento econômico diante de um cenário potencial de novas sanções. Sobre o relacionamento com os Estados Unidos, Rice destacou sua preocupação com a deterioração do relacionamento com a China, atribuída em grande parte às ações agressivas e ideológicas do presidente chinês Xi Jinping. Portanto, será necessário promover canais de diálogo e comunicação que permitam diminuir a hostilidade entre as duas nações.

Em seus comentários finais, Condoleezza Rice observou que, embora a Rússia possa não ter o apoio do Grupo Wagner, a realidade é que não está claro como o conflito terminará, bem como as negociações e possíveis considerações territoriais, já que as coisas dentro da guerra ainda estão evoluindo. Ela também considerou duas opções para o presidente Biden: a primeira é não fazer nada e deixar a situação fluir, e a segunda opção é avançar na reestruturação do estado russo e avançar, apoiando efetivamente a insurgência. No entanto, Rice preferiu a primeira opção como algo mais viável.

Fonte: JP Morgan